Tese de Doutorado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Educação, Faculdade de Educação, Universidade Federal do Rio de Janeiro, como requisito parcial à
obtenção do título de Doutora em Educação.
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Kamila Eulalio Abreu
Tese de Doutorado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Educação, Faculdade de Educação, Universidade Federal do Rio de Janeiro, como requisito parcial à
obtenção do título de Doutora em Educação.
RESUMO
Esta tese investiga as condições de permanência de mulheres mães na pós-graduação brasileira, com ênfase nas experiências de estudantes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O trabalho se insere na agenda de pesquisa do LEPES – Laboratório de Estudos e Pesquisas em Educação Superior, da Faculdade de Educação da UFRJ. Parte-se da constatação de que as políticas de acesso ao ensino superior, promulgadas nos últimos anos, ampliaram significativamente as vagas e a diversidade do corpo discente. Contudo, a pesquisa evidencia que a permanência, especialmente das mães, ainda encontra barreiras estruturais, culturais e institucionais. O estudo fundamenta-se nos debates feministas sobre maternidade, desigualdade de gênero e políticas públicas educacionais, ressaltando como a universidade historicamente negligenciou as demandas maternas. A pesquisa adota uma abordagem qualitativa inspirada na sociologia da educação, articulada às noções de interseccionalidade, combinando levantamento bibliográfico, aplicação de e-survey e realização de entrevistas. Foram conduzidas oito entrevistas qualitativas, envolvendo seis estudantes mães de pós-graduação e duas pesquisadoras vinculadas a coletivos maternos. Os resultados demonstram que a maternidade intensifica desigualdades já presentes no espaço acadêmico, sobretudo para estudantes de primeira geração e oriundas de camadas populares. Mesmo quando existem políticas de permanência, muitas mães desconhecem sua existência ou enfrentam dificuldades de acesso, o que evidencia falhas de comunicação e alcance institucional. Conclui-se que a democratização da pós-graduação no Brasil não pode ser efetiva sem considerar a maternidade como eixo estruturante das desigualdades acadêmicas. A permanência das mães requer políticas integradas, que combinem auxílios financeiros, infraestrutura, flexibilização acadêmica e reconhecimento institucional de sua condição. A tese defende que uma universidade mais justa e inclusiva depende do reconhecimento e do apoio às mães estudantes, permitindo-lhes concluir sua formação sem renunciar ao direito à maternidade.
PALAVRAS-CHAVE: maternidade; Ensino Superior; Pós-Graduação; Permanência Estudantil; UFRJ
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