Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Educação – PPGE/UFRJ, como requisito parcial para obtenção do título de mestre em Educação da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
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Márcia Meibel da Rosa Dantas
Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Educação – PPGE/UFRJ, como requisito parcial para obtenção do título de mestre em Educação da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
RESUMO
Esta dissertação analisa a inserção no mercado de trabalho de médicos que ingressaram na UFRJ pela política de ação afirmativa, observando aspectos relacionados à mobilidade social e aos desafios enfrentados nesse processo. A política de cotas no ensino superior, especialmente por meio da reserva de vagas de cotas raciais, tem desempenhado um papel importante na redução das desigualdades raciais no Brasil, ao possibilitar o acesso dos segmentos da sociedade historicamente excluídos a cursos elitizados, como medicina. Nesse cenário, o mercado de trabalho desponta como um possível instrumento de mobilidade social. A pesquisa foi desenvolvida por meio de uma abordagem qualitativa. Primeiro, realizamos um levantamento
bibliográfico com análises: das desigualdades educacionais, sobre a expansão da educação superior, políticas de ação afirmativa, políticas de ação afirmativa na UFRJ, discriminação e desigualdades raciais e expansão das vagas de medicina. Além disso, realizamos levantamento e análise de dados secundários sobre o perfil dos concluintes de medicina, análise sobre o mercado de trabalho médico no Brasil e 4 entrevistas com perguntas semiestruturadas para os cotistas egressos. Com o objetivo de analisar a inserção profissional dos cotistas no mercado de trabalho, observando aspectos relacionados à mobilidade social, a fim de compreender de que forma as desigualdades raciais presentes na sociedade brasileira como um todo, e no mercado de trabalho em particular influenciam as trajetórias profissionais de médicos(as) negros(as).
Além disso, buscamos verificar a presença de discriminação e/ou racismo na trajetória profissional. Os resultados apontaram que a inserção no mercado de trabalho ocorreu de forma rápida, sem dificuldades, porém em condições frágeis, em áreas de menor prestígio dentro da estratificação da hierarquia médica. Constatamos que a graduação em medicina promoveu mobilidade social aos médicos(as) negros(as) egressos, porém essa mobilidade é restrita e diz respeito aos postos de trabalho que ocupam e barreiras relacionadas ao racismo, que afetam o acesso a locais de prestígio, reconhecimento e valorização de suas trajetórias profissionais. A pesquisa aponta, assim, para a necessidade de políticas de ação afirmativa para a população negra no mercado de trabalho em todos os setores como forma de romper com a mobilidade restrita, além de ampliação de estudos que acompanhem os efeitos da política de ação afirmativa para além do acesso ao ensino superior.
Palavras chaves: políticas de ação afirmativa, egressos de medicina, mercado de trabalho, desigualdades raciais, UFRJ.
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